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Data: 28 Janeiro 2010
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A Mercer concluiu recentemente o Estudo Global sobre Contribuição Definida de 2009, que abrange um vasto leque de tópicos relacionados com as tendências de Planos de Pensões de Contribuição Definida (CD) em 33 países da Europa Continental, Ásia-Pacífico, América Latina, Estados Unidos e Reino Unido. A amplitude deste estudo torna-o único no sector, com mais de 1500 respostas recebidas, incluindo mais de 300 oriundas de empresas multinacionais. O estudo é extenso e revela várias perspectivas interessantes. Neste texto, centramo-nos em quatro áreas chave: abordagens e objectivos, reacções à crise financeira, investimento e gestão de planos. Abordagens e objectivosQuando se pede às empresas que identifiquem as respectivas abordagens à gestão de CD, a maioria escolhe o papel de “facilitador”. As respostas são caracterizadas pela frase “iremos fornecer um plano de CD standard do mercado e “educação” para permitir que os colaboradores façam as contribuições mais adequadas”.
Poder-se-iam interpretar estes dados como uma erosão inoportuna da preocupação “paternalista” para com os participantes. Por outro lado, a facilitação poderá ser actualmente, de facto, a atitude filosófica ideal para uma empresa com um plano de CD. Os esquemas de CD têm sido muito eficazes na transferência do risco e da responsabilidade para os participantes. No entanto, poder-se-ia argumentar que estes não têm sido muito eficazes a fornecer aos participantes o suporte de que necessitam para planear adequadamente a reforma. Se as empresas encararem o seu papel de “facilitadores” no sentido de proporcionar uma educação mais sólida dos participantes e apoio nas suas decisões, será possível dizer que são boas notícias para os participantes e esquemas de CD em geral.
Pediu-se também aos inquiridos que indicassem os respectivos motivos para oferecerem os planos de CD.
As três respostas mais recebidas representam um enquadramento interessante de motivações sociais e empresariais, e podem ser entendidas como abrangendo um espectro entre as motivações empresariais e sociais.
Cada vez mais, as empresas encaram os esquemas de CD como ferramentas empresariais sujeitas aos mesmos standards de ROI de outros investimentos. Contudo, subsiste um conjunto forte de motivações sociais para continuar a facultar esquemas aos colaboradores. Embora esta tendência possa causar atrito entre os parceiros sociais, e levar a um ou outro artigo mais “cínico” na imprensa, também pode conduzir a um equilíbrio saudável. A Mercer aconselha as empresas a seguirem esta tendência através da reavaliação dos seus objectivos na disponibilização de esquemas de CD e da concretização destes objectivos em medidas de eficácia que podem ser registadas ano após ano. Reacções à crise financeiraVisto que o estudo foi realizado durante uma severa crise financeira, foi importante avaliar o impacto da crise nos planos de CD. Questionaram-se os empregadores sobre alterações recentes e esperadas dos níveis de contribuições.
A grande maioria (86%) dos empregadores decidiu não efectuar quaisquer alterações nos níveis de contribuições do plano CD nos 12 meses seguintes. Uma pequena parte (9%) tinha já implementado uma diminuição ou suspensão, permanente ou temporária, das contribuições na altura do estudo. Os restantes inquiridos (5%) estavam a ponderar a suspensão ou diminuição nos 12 meses seguintes. Estes resultados são consistentes com outros dois estudos levados a cabo pela Mercer durante o último ano. (Consultar “Leading through Unprecedented Times” em mercer.com).
Os resultados transmitem o compromisso contínuo dos empregadores em consolidarem os respectivos esquemas de CD. É claro que, em alguns países, os níveis de fundos de CD são menos flexíveis. No entanto, os resultados foram consistentes a nível global, como acontece com os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Hong Kong.
Também questionámos os empregadores sobre a reacção dos colaboradores em relação à crise financeira. A nível global, as três reacções mais comuns foram:
As mesmas três respostas são também predominantes no Canadá, Reino Unido, Europa (excepto Reino Unido) e Ásia-Pacífico. Nos Estados Unidos foram registadas as três reacções principais que se seguem:
As dúvidas dos participantes em relação ao rendimento do investimento são compreensíveis. Dada a magnitude da erosão dos activos, incerteza global e ampla cobertura por parte dos meios de comunicação, os participantes precisam de informação e o primeiro local onde a procuram é junto dos empregadores.
A predominância das alterações de alocação de activos por parte dos colaboradores, conforme registada pelos empregadores, não é surpreendente. Embora os dados gerais sobre o mercado dos fornecedores de serviços, e em particular dos Estados Unidos, indiquem uma tendência para a inacção por parte da maioria dos colaboradores, poder-se-ia esperar que alguns participantes alterassem as alocações para tentar gerir activamente o seu percurso durante a crise. O estudo não recolheu dados pormenorizados sobre as alterações da classe de activos subjacentes, por isso, não é evidente se as alterações efectuadas foram reacções sensatas ou geradas pelo pânico, ou algo entre uma e outra.
O facto de um terço das empresas indicar que os colaboradores não tiveram qualquer reacção à crise financeira é interessante. A resposta “não houve qualquer reacção” não só ficou entre as três principais a nível global, como foi a predominante no Reino Unido (58%) e na América Latina (57%). Numa leitura optimista dos dados, poder-se-ia concluir que estes participantes foram educados com base em princípios que envolvem o risco e o investimento a longo prazo e, por conseguinte, permanecem calmos durante a tempestade. Contudo, outros indicadores no estudo apontam para uma conclusão diferente. Quando se pediu que classificassem as fontes de risco nos esquemas, as empresas identificaram as três questões principais que se seguem:
Os empregadores estão claramente preocupados com o facto de os participantes não compreenderem completamente os riscos ou, talvez, a sua própria responsabilidade nesses riscos. Através desta perspectiva, talvez se possa inferir que a elevada ocorrência da resposta “não houve qualquer reacção” revela uma desconexão entre o entendimento que os participantes têm acerca dos riscos e a sua própria responsabilidade nesses riscos.
No entanto, também há boas notícias. Os empregadores indicam, de forma esmagadora, que existem planos para melhorar a comunicação e educação dos participantes. Esta foi identificada como sendo a área mais comum das alterações planeadas. O apoio melhorado à decisão dos participantes é uma demonstração positiva de que os empregadores encaram o seu papel de facilitadores de forma séria, mesmo quando se afastam da abordagem mais “paternalista” do passado. Os esquemas de CD são eficazes na transferência dos riscos e responsabilidades para os participantes. Actualmente, parece existir uma tendência saudável no sentido de uma ambição de fornecer aos participantes as ferramentas de que estes necessitam para gerir esses riscos e responsabilidades. InvestimentoO decréscimo económico influenciou participantes e empresas em todo o mundo. Não é pois surpreendente que um dos maiores desafios que as empresas enfrentam seja o mau retorno sobre o investimento (um pouco abaixo dos 60%). Contudo, é algo surpreendente, especialmente tendo em consideração o momento em que o estudo foi efectuado, que o entendimento limitado dos participantes seja encarado como um desafio ainda maior (um pouco acima dos 60%). Esta conclusão é uma boa notícia. A experiência e a pesquisa financeira comportamental sustentam a perspectiva de que os participantes se debatem com decisões a nível financeiro. As empresas devem enfrentar este problema, e os resultados do estudo parecem indicar uma tendência nessa direcção.
É interessante constatar que apenas um terço dos inquiridos planeia alterar as opções ou a estrutura dos investimentos nos próximos dois anos. Dessas alterações de planeamento, espera-se que a mais comum seja um aumento do número de opções existentes, seguido por uma introdução de fundos “ciclo de vida" ou de “target date funds”. Opções de fundosConforme se pode ver no gráfico seguinte, a quantidade de fundos varia drasticamente dependendo da região.
Nos Estados Unidos e na Austrália, menos de 20% das empresas pensam aumentar as opções de investimento nos próximos 12 a 24 meses. A intenção das empresas de aumentarem as opções de investimento é mais predominante na Ásia (26%) e na América Latina (34%), sendo que ambas as regiões têm actualmente menos opções de fundos.
A Mercer apoia as intenções de melhoria da estrutura de investimento dos esquemas de CD. Contudo, aconselha-se precaução no simples aumento do número de opções. As empresas ficam muitas vezes confusas com o excesso de opções. Mas, podem atenuar essa consequência negativa limitando a escolha a um conjunto mais pequeno de investimentos de elevada qualidade ou através do redesenho do processo de tomada de decisão. Por exemplo, um esquema poderá disponibilizar três “ambientes de opção” personalizados para corresponder às preferências de tomada de decisão dos segmentos de investidores. Fundos “Ciclo de Vida” (Lifecycle)A utilização de fundos do tipo “ciclo de vida” como opção default (incluindo “target date”, “target risk” e estilo de vida) varia consoante a localização geográfica. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, mais de 90% das empresas indicam a utilização de fundos do tipo “ciclo de vida”. É interessante o facto de as opções de investimento “ciclo de vida” raramente serem utilizadas na Austrália (embora tenha havido um aumento do interesse nos últimos 12 meses). O Canadá é outra região onde a utilização de fundos “ciclo de vida” (18%) é muito baixa. Nenhum dos inquiridos da América Latina registou a utilização de fundos “ciclo de vida” como opção default.
A Mercer apoia a utilização de investimento “ciclo de vida” como opção default. No entanto, a sua aplicação pode diferir consoante a localização geográfica, e alguns países permitem opções ainda mais personalizadas.
Não há dúvida de que os programas de reforma de CD foram afectados pela crise económica. Dados os desafios que as empresas enfrentam com a carteira de investimentos, a Mercer sugere que todas as empresas empreendam regularmente três acções para melhor assegurarem que as necessidades dos participantes são satisfeitas, independentemente da conjuntura económica no futuro.
Gestão de planosOs recentes acontecimentos económicos mostraram os riscos associados aos planos de CD das multinacionais. As empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de gerirem os riscos associados aos planos de CD e monitorizarem os custos de forma mais eficaz. O estudo examinou a forma como as multinacionais gerem actualmente os respectivos planos de CD e quais serão os objectivos da gestão de planos no futuro. Actual gestão global de planosNeste estudo, foram mais as multinacionais (44%) que responderam que gerem e supervisionam a gestão de planos de CD de forma centralizada, do que aquelas que o fazem através de outra abordagem. As formas através das quais as empresas executam a supervisão central variam: enquanto algumas têm uma comissão global investida dessa responsabilidade, outras têm comissões globais múltiplas ou baseiam-se apenas num ou dois indivíduos na sede da empresa.
Embora algumas multinacionais utilizem uma supervisão centralizada de todos os aspectos dos planos de CD, a maioria das empresas preocupa-se com áreas específicas do risco. O desenho é a área em que a tomada de decisões centralizada é mais comum. Aproximadamente 71% das empresas tomam decisões referentes ao desenho dos planos de CD a nível global (algumas baseadas em recomendações dos gestores locais). Outra área em que são tomadas decisões centralizadas é a selecção de fornecedores. Aproximadamente 49% das multinacionais em todo o mundo utilizam a aprovação central dos fornecedores. Todavia, mais de um terço das empresas deixam nas mãos dos gestores locais a tomada de decisões relacionadas com fornecedores. Áreas de riscoÉ interessante ver que embora aproximadamente 36% das multinacionais confiem a tomada de decisões relativas a opções de investimento default e dos participantes aos gestores locais, as empresas indicam, a título de exemplo, os riscos relacionados com o mercado e os investimentos como uma das principais preocupações na implementação de planos de CD. Os outros riscos que as multinacionais associam aos planos de CD encontram-se definidos a seguir.
Governance no futuro
As empresas reconhecem agora a necessidade de gerirem os planos de CD a nível global para minimizar os riscos e obter eficiências. É vital estabelecer uma autoridade e responsabilidade claras como primeiro passo. Através da gestão intencional dos planos, as empresas podem diminuir os custos e, ao mesmo tempo, iniciar melhoramentos para os colaboradores que sejam uma mais-valia.
É necessária mais comunicação e educaçãoMesmo que as empresas desempenhem um papel mais próximo de “facilitador”, é necessário ter em consideração muitos aspectos da gestão de planos, tanto empresariais como sociais, para controlar os custos e ajudar os colaboradores a entender a importância de poupar para a reforma. A crise financeira e a alteração de planos de BD para planos de CD amplificaram, em todo o mundo, a necessidade de uma melhor comunicação e educação dos colaboradores relativamente aos riscos financeiros associados aos investimentos que estes efectuam. É possível gerir os riscos relacionados com os fornecedores através de políticas relativas às melhores práticas de Governance, a nível local ou global. Iremos assistir a uma maior aplicação dos fundos “ciclo de vida”, por isso, as empresas necessitarão de determinar aqueles que são mais apropriados para os seus participantes.
O Estudo Global sobre CD de 2009 revela várias perspectivas importantes para as empresas com planos de CD. A sua concretização num contexto recente de turbilhão económico sublinha ainda mais o papel deste estudo como uma ferramenta útil para as empresas, fornecedores e outros participantes na gestão e administração de planos de CD. A Mercer caminhou no sentido de aperfeiçoar a relevância do estudo, incluindo competências de benchmarking. Encorajamos as empresas a solicitarem uma cópia dos resultados completos e beneficiar desta janela de oportunidade única para reavaliar os respectivos planos. |
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Ana Tavares
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