Imprevisibilidade da evolução da pandemia e inflação influenciam opções dos planos de saúde das empresas nos próximos anos

  • A tendência crescimento dos gastos em saúde recupera para 9,6% em 2021 e espera-se que mantenha uma taxa semelhante (9,5%) em 2022. Na Europa e em Portugal, em 2022 a tendência será para um aumento de 8,9% e 7,5% respetivamente. Incertezas relacionadas com a pandemia, a inflação e as diferenças geográficas permanecem como fatores relevantes.
  • 2 em cada 3 seguradoras esperam cobrir cuidados de saúde relacionados com a COVID-19 em 2022: pandemia e riscos emocionais ou de saúde mental são os principais influenciadores dos custos dos planos de saúde fornecidos pelas empresas.
  • Doenças metabólicas e cardiovasculares, cancro e doenças do sistema circulatório são as principais áreas de preocupação das seguradoras.
  • Equidade na saúde é prioridade crescente: seguradoras estão a fazer alterações para facilitar a criação de planos de saúde mais inclusivos, incluindo a revisão das redes de médicos para garantir a diversidade dos prestadores de saúde. Na ótica das empresas, os planos de saúde são cada vez mais abrangentes, com tendência para englobar todos os colaboradores da organização e frequentemente o seu agregado familiar direto.

Apesar do rumo da pandemia de COVID-19 continuar imprevisível, o seu impacto nos planos de saúde das empresas deverá persistir durante os próximos anos. A conclusão é do mais recente estudo da Mercer Marsh Benefits, que inquiriu 210 seguradoras de 59 países para identificar as principais tendências futuras dos cuidados de saúde assegurados pelas empresas. A amostra de Portugal representa mais de 80% de quota do mercado de seguros de saúde.

 

O estudo, denominado “MMB Health Trends”, destaca quatro conclusões: a tendência dos custos em saúde está a aumentar em valores record acima da inflação e dos anos anteriores; a COVID-19 está a afetar a experiência de despensas médicas ao abrigo do seguro; a prevenção e os cuidados individuais são necessários para se mitigar riscos de saúde; a equidade médica nos planos de saúde, significa dar os cuidados que as pessoas efetivamente necessitam, é uma prioridade cada vez mais importante.

 

1) A tendência dos gastos em saúde nos seguros está a aumentar

O estudo concluiu que, em 2021, a tendência dos gastos em saúde aumentou face à redução em 2020, causada pela pandemia. Espera-se que esta tendência continue, com a taxa global de 9,5% prevista para 2022. Em comparação com os dados globais, na Europa e em Portugal os valores estimados apresentam um aumento face a 2021 (8,9% e 7,5%) respetivamente, ainda que o grau de variação seja inferior.

Em todo o mundo, três quartos (75%) das seguradoras dizem que a atividade de despesas médicas no seguro de saúde está a crescer, com duas em cada cinco (41%) referindo que, atualmente, a utilização do seguro é superior aos níveis da pré-pandemia.

 

Paulo Fradinho, Business Leader da Mercer Marsh Benefits em Portugal, afirma:


“O regresso ao recurso normal dos serviços de saúde depende de como a pandemia evoluir. As empresas devem antecipar que os prémios de renovação vão aumentar para compensar a volatilidade e a tendência inflacionista decorrente do contexto e guerra na Ucrânia e efeito na economia global das sanções económicas. Por outro lado, devem rever os requisitos dos seus planos de saúde para poderem antecipar as mudanças que se esperam na utilização de seguro e, consequentemente, atualizarem as suas estratégias de benefícios alinhando sempre de acordo com as expetativas e necessidades individuais, para que o valor do benefício seja efetivamente reconhecido pelos colaboradores.”

 

2) A COVID-19 está a afetar a experiência das despesas médicas nos seguros

Globalmente, a COVID-19 é a terceira maior causa de despesas médicas no seguro, tanto em valor monetário, como em frequência. Contudo, o seu impacto não tem sido alvo de monitorização, ao passo que as seguradoras têm tido dificuldade em atualizar os seus sistemas para conseguirem obter dados sobre uma condição de saúde que, até 2019, era desconhecida e cujas implicações começamos a compreender.

 

As seguradoras identificaram a COVID-19 e os riscos emocionais e mentais enquanto as maiores fontes de influência dos custos dos planos de saúde oferecidos pelas empresas, e 2 em cada 3 espera cobrir cuidados de saúde relacionados com a COVID-19 em 2022. No entanto, um terço das seguradoras (34%) está a considerar impor limitações de condições pré-existentes relacionadas com os efeitos da COVID a longo-prazo, ou já fez alterações nesse sentido.

 

Afirma Paulo Fradinho:


“As equipas de Recursos Humanos e Gestores de Benefícios devem monitorizar a cobertura dos seus planos de saúde face à prevenção e tratamento da COVID-19, para entender os acessos dos colaboradores. Também é importante desenvolver uma estratégia de saúde mental para os colaboradores que não seja simplesmente um apoio aos que estão doentes, mas que seja também preventivo e melhore o bem-estar geral. As empresas que ajudam os seus colaboradores nesta área têm uma vantagem competitiva.”

 

3) Prevenção e cuidados individuais são necessários para mitigar riscos de saúde

O risco das doenças metabólicas e cardiovasculares é o principal fator que influencia os custos de saúde da organização. O cancro e as doenças do sistema circulatório foram as principais razões para pedidos de indemnização de planos de saúde dirigidos às seguradoras. Para combater estas doenças crónicas, as empresas podem explorar como incorporar produtos direcionados aos cuidados individuais preventivos nos planos de benefícios. Quase uma em cada dez seguradoras (8%) cobre ou fornece kits de autotestes, como exames ao sangue para diabetes.

 

Paulo Fradinho acrescenta:


“A pandemia afetou a forma como as pessoas interagiam com o sistema de saúde e como se comportavam em relação ao seu bem-estar. É importante incentivar os colaboradores a continuar com os cuidados preventivos, como exames de saúde anuais e garantir que respeitem as diretrizes e restrições locais. As equipas de RH podem fazer a diferença através de campanhas de comunicação para educar sobre o risco de atrasar os cuidados preventivos, ao ouvir os colaboradores para entender melhor quais são as suas necessidades que não são atendidas e ao explorar oportunidades para incorporar os cuidados individuais e a saúde digital nos planos de benefícios. Em Portugal há cada vez mais seguradoras com propostas de valor mais abrangentes, que vão além da indemnização de despesas e que podem ajudar as empresas e colaboradores na promoção do bem-estar e na prevenção da doença.”

 

4) Equidade nos planos de saúde é cada vez mais prioritária

As seguradoras estão a fazer alterações para facilitar a criação de planos de saúde mais inclusivos. Por exemplo, 30% das seguradoras estão a rever as redes médicas para garantir a diversidade dos prestadores de saúde, por exemplo ao nível dos serviços, especialidades e acessibilidade. Isto terá impacto na experiência dos colaboradores, uma vez que as pessoas podem mais facilmente optar por consultar um médico com a mesma origem étnica ou do mesmo género.

 

Mais de um quarto (27%) das seguradoras alterou o acesso de elegibilidade para tornar a cobertura mais inclusiva para os colaboradores LGBTQ+, o que inclui, por exemplo, a inclusão dos parceiros do mesmo género nos planos de saúde. Quase um quarto (24%) das seguradoras está a considerar incorporar, ou já incorporaram, apoio social, tal como ajuda com o transporte, a alimentação e a habitação.

 

Aponta Paulo Fradinho:


“As empresas têm a oportunidade de apoiar os seus colaboradores com um plano diversificado, equitativo e inclusivo, reconhecendo que as pessoas têm necessidades e valores diferentes, e que os cuidados devem ser acessíveis a todos. As empresas devem continuar a defender uma melhor recolha e partilha de dados para permitir uma identificação anónima e agregada das tendências de saúde da sua força de trabalho, incluindo a codificação dos fatores sociais que influenciam a saúde e o bem-estar. Hoje o bem-estar de todos colaboradores é também um tema de sustentabilidade.”

 

Face aos resultados do estudo, a Mercer Marsh Benefits recomenda às empresas que devem estar atentas aos dados sobre a tendência dos custos de saúde, uma vez que têm impacto na construção dos seus planos de benefícios que atendam às necessidades do negócio e das pessoas.

 

De acordo com Paulo Fradinho:


“Existem muitas ações que a organização pode e deve tomar para gerir estas tendências e o caminho certo depende das prioridades estratégicas do negócio. No entanto, aconselhamos vivamente a que todos os interessados em melhorar o bem-estar através de um plano de saúde sigam os cinco passos seguintes:

 

1) Observe os resultados de saúde das seguradoras, não apenas a cobertura 

2) Não se esqueça de examinar as condições da cobertura com atenção

3) Incentive o uso de ferramentas preventivas em cuidados individuais de saúde e recursos digitais de qualidade

4) Não subestime o risco das doenças não diagnosticadas e o poder das medidas preventivas

5) Aproveite as oportunidades para oferecer coberturas mais inclusivas.”

 

 

 

 

Sobre a Mercer Marsh Benefits

A Mercer Marsh Benefits (MMB) nasceu da unificação de uma das consultorias de Recursos Humanos mais respeitadas do mundo, a líder mundial em consultoria de risco de pessoas e a empresa número um em tecnologia de benefícios disruptivos para formar um negócio único. Juntas, moldaram algumas das experiências de benefícios de colaboradores mais valorizadas no mundo, dirigidas a pequenas empresas, empresas em crescimento e empresas transnacionais. A MMB conta com 7.000 colaboradores, em 73 países, e atende clientes de mais de 150 países. Traz conhecimentos locais a diferentes territórios e trabalha lado a lado com clientes e colaboradores da Mercer e da Marsh em todo o mundo.

 

Sobre a Mercer

A Mercer acredita na construção de futuros mais brilhantes através da redefinição do mundo do trabalho, da melhoria dos resultados em pensões e investimento e da promoção da saúde e bem-estar das pessoas. A Mercer tem mais de 25.000 colaboradores em 43 países e opera em mais de 130 países. A Mercer é uma subsidiária da Marsh & McLennan (NYSE: MMC), a empresa líder global em serviços profissionais nas áreas de risco, estratégia e pessoas, com 83.000 colaboradores em todo o mundo e com receitas anuais de cerca de 20 mil milhões de dólares. Ajuda os seus clientes a navegar num ambiente cada vez mais dinâmico e complexo através das quatro empresas líderes de mercado: a Marsh, a Guy Carpenter, a Mercer e a Oliver Wyman

 

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