Associamos, geralmente, um assessment a ferramentas utilizadas pelas empresas para avaliar competências comportamentais e cognitivas dos seus colaboradores. Existem múltiplas ferramentas das quais destaco as da Mettl (empresa recentemente adquirida pela Mercer), nomeadamente pela versatilidade de soluções que apresenta aos clientes.

 

Conhecemos bem as diferentes lentes de observação que um assessment permite utilizar: questionário de auto-avaliação; questionário 360 em que se capta o feedback de chefias, pares e reportes; entrevista individual; dinâmicas de grupo, entre outras. Sabemos, também, que para além de assessments ligados às organizações, há múltiplas outras áreas em que recorremos frequentemente a assessments nomeadamente na Saúde (hoje tão presente no nosso dia a dia), na Educação (para aferir conhecimentos e comportamentos), no Ambiente (de forma a aferir o impacto ambiental ou os benefícios de um determinado investimento) ou no Risco (cobrindo domínios que vão desde a fiscalidade, área financeira ou de riscos).

 

Independentemente da área em que se aplica, o assessment visa determinar a importância ou o valor de algo. Nos dias de hoje, e em particular nesta fase que atravessamos devido ao COVID 19, vale a pena ir um pouco mais fundo e perceber o que significa “determinar a importância ou o valor de algo”. Para isso, devemos ir à origem da própria palavra: ASSESSMENT. Sabemos que tem origem no latim e mais concretamente na expressão: ad-sedere (to sit, em inglês) e que deu origem à palavra assidere (sit by, também em inglês). Assidere, em latim, deu depois origem a Assesser (Francês antigo) e, depois, a Assess (inglês).

 

Parece-me muito interessante a origem da palavra e o conceito que, subsequentemente, dela decorre. De “sentar” (to sit) passamos para “sentar para” (sit by) ou, numa interpretação mais livre, “sentar com”. Já não é o mero “sentar” ou “sentar-me”, mas sim sentar com um determinado objetivo. Gosto de pensar que na origem de assidere esteja a ideia de “sentar-me junto de”. Parece-me que o ato de sentar, na aceção de assidere, tem como propósito a construção de uma relação que parece apontar para o “outro” (alguém que está sentado ao meu lado ou, noutra perspetiva, ao lado de quem eu me sento). Mas, este “sentar-me junto” ou “sentar-me com” pode também significar “sentar-me comigo próprio”.

 

Voltarei a esta ideia, mas antes gostava primeiro de partilhar o quão ambígua me parece a palavra assidere, bem como a sua derivação inglesa que se generalizou nos dias de hoje: assessment. Ao pesquisar os seus sinónimos e antónimos, deparamos com “valor, medição, juízo, apreciação, respeito, estima, prémio, quantificação” (sinónimos) e “ajuda, assistência, doação mas também ignorar, condenar ou perdoar e desculpar” (antónimos).

 

Chegados a este ponto, e no atual contexto de “distanciamento social” e em que muitos de nós nos vimos na contingência de trabalhar a partir de casa, gostaria de refletir sobre uma outra aceção da palavra assessment. Faço-o sem qualquer intenção de análise cientifica ou linguística, mas apenas como partilha ou, se quiserem, desafio.

 

Parece-me ser este um momento propício para pararmos e fazermos o nosso assessment nas diferentes aceções da palavra; ou se quiserem, para avaliarmos, medirmos a ajuizarmos sobre o nosso “eu”.

 

Este é o momento para cada um de nós “sentar-se consigo próprio” para fazer o seu assessment.

 

E podemos fazê-lo nas diferentes dimensões da nossa vida:

  1. Como tem sido a minha carreira?
  2. O que são as minhas principais qualidades e as principais áreas de melhoria?
  3. De que forma tenho colocado ao serviço dos outros essas qualidades?
  4. De que forma é que a minha “desatenção” a algumas áreas de melhoria tem influenciado a minha vida?
  5. Que julgamento faço de mim próprio enquanto colega, Pai/Mãe (filho/filha), cidadão?

Todos estamos de acordo que o Mundo nunca mais será igual depois do COVID 19. Passada a fase da pandemia, virão momentos extremamente duros e difíceis. Ninguém consegue prever a dimensão e duração da crise económica que se avizinha, mas todos sabemos que será um enorme tsunami que nos vai testar, uma vez mais, aos limites. Parece-me, pois, ser este o momento para agarrarmos esta ferramenta (assessment) e pararmos para avaliar o que fomos até hoje, o que estamos a ser no presente e o que ambicionamos ser no futuro.

 

Entre o turbilhão de e-mails, as reuniões com colegas e clientes à distância, as tarefas familiares num confinamento nem sempre fácil e muitas vezes ruidoso, é importante encontrarmos um momento diário (ainda que breve) só para nós próprios e aí, num espaço mais ou menos contíguo, podermos fazer um self-assessment. Sendo um defensor de uma sociedade de “portas abertas e sem muros”, creio que nas atuais circunstâncias é importante cada um de nós fechar à chave, ainda que por breves minutos, a sua porta exterior para, por momentos, poder ficar isolado de tudo e de todos; não com a intenção de me fechar aos outros ou deixar de estar disponível para quem precisa de mim, mas para encontrar momentos (ainda que breves) em que ninguém me interrompe os pensamentos ou “viola” o meu espaço. Muitos de nós só conseguiremos fazê-lo já tarde noite adentro, quando a casa adormeceu, ou bem cedo de manhã, ainda antes de o sol nascer para mais um dia de… trabalho “em casa” e “com a casa” (às costas).

 

  • Se conseguirmos fazer o nosso próprio assessment, encontraremos certamente respostas a dúvidas e inquietações que temos.
  • Se conseguirmos fazer o nosso próprio assessment, encontraremos soluções para problemas que nos pedem para resolver.
  • Se conseguirmos fazer o nosso próprio assessment, conseguiremos tomar decisões sobre assuntos que temos vindo a adiar.
  • Se conseguirmos fazer o nosso próprio assessment, abriremos portas à nossa capacidade de criar e inovar.
  • Se conseguirmos fazer o nosso próprio assessment, perceberemos melhor onde podemos ter um impacto positivo na vida dos outros, tal como procuramos fazer na Mercer.
  • Quando conseguirmos fazer o nosso próprio assessment, estaremos melhor preparados para os desafios que nos esperam.
  • Quando conseguirmos fazer o nosso próprio assessment estaremos a construir um Futuro, para nós e para os outros, promissor e radioso.

Quando o Mundo “voltar à normalidade” iremos certamente voltar a trabalhar com os nossos clientes utilizando as nossas ferramentas e as nossas metodologias de assessment na certeza que o faremos de forma diferente mas, certamente, melhor e com mais impacto na vida das pessoas e das organizações.

 

Até lá, é importante sentarmo-nos (assidere) connosco próprios à procura do nosso “Eu”.





Diogo Alarcão
Diogo Alarcão
Mercer CEO
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