A recessão, já todos o sabemos, vai ser severa. Ainda não existem certezas sobre a evolução do vírus, em que moldes virá a segunda vaga ou quando chegará a tão ambicionada vacina. Os tempos são incertos, mas o impacto na economia é já muito real, com operações paradas a ameaçar postos de trabalho e a sobrevivência de muitos negócios.

 

É importante, no entanto, demorar o olhar para tudo o que de positivo temos assistido nos últimos tempos. Uma cooperação sem precedentes entre os diversos sectores, com Estado, empresas, universidades, laboratórios científicos e restante sociedade civil a articular esforços, a procurar soluções inovadoras, a reconverter temporariamente atividades produtivas, a gerar e partilhar conhecimento em “open source”. Neste momento difícil estamos a mostrar o melhor de nós. E é sobre isto que nos devemos focar: como aproveitar este movimento para criar um futuro melhor?

 

O estudo internacional da Mercer “Global Talent Trend 2020”, questionou executivos sobre quais as medidas que tomariam perante a crise económica. A resposta mais consensual foi explorar novas parcerias estratégicas. De facto, tempos de crise demonstram que empresas sozinhas ficam mais vulneráveis.  Uma rede alinhada que comungue determinados valores e objetivos consegue ser mais sustentável e, por isso, mais forte. Por outro lado, a American Business Roundtable redefiniu o propósito das organizações, defendendo que este deve ir para lá dos acionistas, levando valor acrescentado aos clientes, investindo nos colaboradores, lidando de maneira justa e ética com os fornecedores e apoiando as comunidades.  Projetar o futuro deve passar assim por uma abordagem multi-stakeholders, envolvendo os diversos agentes da sociedade. De acordo com o estudo da Mercer, ficou evidente que este movimento começa a ganhar forma, com 35% dos executivos a referir já ter alinhado as suas práticas de negócio a esta abordagem e 50% a afirmar que o planeiam fazer.

 

Com o planeta ameaçado e as vidas humanas em risco, talvez tenhamos atingido o ponto de rutura que nos faz avançar para uma nova Era: mais sustentável e de longo prazo. No que concerne às empresas, estas devem fazer um rebooting e começar a equilibrar propósito e lucro. As preferências dos consumidores estão a mudar e a procura por produtos sustentáveis aumentou 40% em dois anos. A pegada de carbono está a entrelaçar-se nos novos modelos de negócio e os resultados obtidos pelas empresas que cedo se adiantaram neste caminho são evidentes: 75% das empresas com métricas ESG (environmental, sustainability and governance) relatam crescimentos superiores a 6% e os seus CEOs asseguram que as organizações estão mais ágeis a responder às mudanças de mercado.

 

Que métricas de ESG criar? Estas diferem consoante os setores de atividade, mas devem conter 3 dimensões: ambiental, responsabilidade social e gestão responsável dos colaboradores. Nesta última, encontram-se indicadores relacionados com: política de saúde e bem-estar, EVP forte (employee value proposition), política salarial responsável, gestão eficiente do talento, desenvolvimento dos colaboradores, inclusão e diversidade. Estas práticas são essenciais para a atração e retenção do melhor talento, permitindo assim o cumprimento da estratégia corporativa.

 

Termino como comecei: que o movimento positivo e concertado entre os diversos stakeholders da nossa sociedade não seja efémero. Que se lancem as diretrizes para um país com uma economia, empresas e pessoas mais inovadoras, competitivas e sustentáveis. Todos alinhados por um futuro melhor. 





Tânia Ribeiro
Principal na Mercer

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